Portugal terminou hoje
(6.9.2014) a sua participação no Campeonato do Mundo
Amador Feminino de Nações no 45º lugar, na 26ª
edição em que a Austrália conquistou o seu 3º título
na competição, que este ano se realizou no Karuizawa
72 Golf East, no Japão, organizado pela Associação
de Golfe do Japão (JGA), sob a supervisão da
Federação Internacional de Golf (IGF)
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| Foto: ©USGA-Steven Gibbons. |
As 151 pancadas de hoje
foram o melhor resultado nos quatro dias de
competição da equipa portuguesa, liderada pelo
capitão João Coutinho e treinada pelo seleccionador
nacional Nuno Campino. Ser o melhor resultado é um
facto que deve ser salientado, até por as jogadoras
portuguesas terem regressado ao percurso
teoricamente mais difícil, o Oshitate Course, um
Par-72 (34 nos primeiros 9 buracos e 38 nos segundos
9), de 5.765 metros, que tem a particularidade de
terminar com um buraco de Par-6 de 670 metros!
Era, portanto, uma
derradeira jornada mais complicada para se subir na
classificação geral, ao contrário, por exemplo, da
Austrália que aproveitou competir hoje no mais
acessível Iriyama Course, para saltar da 4ª para a
1ª posição, anulando a desvantagem de 7 pancadas,
superando o Canadá, que liderara desde o primeiro
dia.
Susana Ribeiro, que ontem
começou a ser medicada para debelar a gripe
contraída mesmo antes de começar o torneio, nunca
encontrou o seu melhor golfe e, pela segunda vez em
quatro dias, fez o pior resultado das portuguesas,
não contando, por isso, para esta última volta da
equipa.
A bicampeã nacional
amadora, de 24 anos, bem se esforçou para
representar dignamente o país, mas estava limitada e
aquém do que tem feito este ano, designadamente
quando foi 15ª no Campeonato Internacional Amador de
Espanha. Teve de contentar-se com um último dia em
79 pancadas, 7 acima do Par. Foi o seu segundo 79
seguido, depois de 80 e 83 nos dois primeiros dias,
terminando com um agregado de 321 (+33), no 130º
posto, caindo 1 lugar no último dia. Mesmo assim,
superou o 145º lugar (+47) que alcançou há dois anos
no Mundial da Turquia.
«A Susana é a
jogadora mais experiente, com 24 anos, mas teve uma
semana terrível. Jogou doente todos os dias, para
além de outros azares como perder o laser. Não é o
fim do mundo, mas desconcentra. O facto de a Susana
estar a ter uma má semana, muito abaixo do seu real
valor, foi também um fator de pressão para as
jogadoras mais novas», comentou João Coutinho, o
capitão de equipa, chefe da delegação portuguesa e
diretor-técnico nacional.
É perfeitamente
compreensível que a equipa tenha acusado a doença da
sua “chefe de fila”, como acontece em qualquer
seleção nacional de qualquer modalidade desportiva,
mas, até por essa razão, deve ser elogiada a volta
de hoje de Leonor Bessa.
As suas 73 pancadas (+1)
foram o melhor resultado nacional dos quatro dias,
sendo de referir que dobrou os primeiros 9 buracos
em -2 (2 birdies), sofrendo depois 3 bogeys no back
nine. A jovem jogadora, quase a completar 16 anos,
totalizou 4 birdies nas últimas 3 voltas. Esse
esforço da bicampeã nacional de sub-16 valeu-lhe a
subida no leaderboard de dia para dia, terminando no
122º posto (empatada), com um agregado de 317 (+29),
melhor do que o 133º (+33) de há dois anos na
Turquia.
«A Leonor fechou
com chave de ouro. Num Campeonato do Mundo, a jogar
num campo com este comprimento, depois de uma
primeira volta de 88 pancadas, fazer duas voltas de
78 pancadas e acabar com um 73 – isto tudo aos 16
anos, é de facto uma grande jogadora», analisou João
Coutinho.
E o que dizer da estreante
em Mundiais Inês Barbosa, com apenas 15 anos, que
acabou por contar por três vezes em quatro dias para
o resultado global da equipa, quando se previa que
as suas quatro voltas fossem para deitar fora?
A ex-campeã nacional de
sub-14 também carimbou 2 birdies no último dia e, ao
contrário de Leonor Bessa, esteve melhor nos últimos
9 buracos (+2) do que no front nine (+4). Fechou com
78 (+6), para um total de 325 (+37), no grupo das
133ª classificadas, uma subida de 4 lugares na
última jornada.
«A Inês, nas duas
últimas voltas, mostrou bem o seu potencial e a sua
idade dá-lhe a possibilidade de chegar longe. A
Leonor e a Inês são, de facto, uma promessa para o
golfe nacional. Demonstram determinação, vontade,
espírito de grupo e dedicação, são duas miúdas
extraordinárias», declarou o capitão de equipa.
A melhor classificação
(teórica) de sempre de Portugal no Espírito Santo
Trophy continua a ser o 22º lugar na primeira edição
da prova, em 1964, mas o peso dessa classificação é
relativo por terem competido apenas 25 países.
É normalmente atribuído
maior valor ao 31º lugar alcançado em 2004 em Porto
Rico, entre 48 países, bem como ao 33º posto, entre
52 nações, em 2010, na Argentina.
João Coutinho está
convencido que, dada a juventude desta equipa, foi
uma etapa importante para melhores resultados em
edições posteriores do Mundial: «Esta equipa foi,
sem qualquer dúvida, a melhor escolha para este
Campeonato e é uma equipa promissora».
«A prestação da
equipa nacional e a sua classificação não reflete a
qualidade desta equipa, nem de perto nem de longe. O
primeiro dia foi um verdadeiro desastre, não poderia
ter acontecido mas aconteceu. Partir atrás do
prejuízo é difícil e põe ainda mais pressão nas
jogadoras. Se no primeiro dia tivéssemos feito um
resultado entre as 7 ou 9 pancadas acima do Par,
teríamos acabado numa posição que provavelmente
corresponderia mais ao real valor desta equipa»,
concluiu o diretor-técnico nacional.
O Women’s World Amateur
Team Championship, que atribui ao país campeão o
Espírito Santo Trophy, foi conquistado pela 3ª vez
pela Austrália, com 547 (-29), ficando a apenas 1
pancada do recorde mundial da Coreia do Sul em 2010.
Merece grande destaque a nº1 mundial amadora, Minjee
Lee, que conseguiu a melhor volta do último dia, em
65 (-7).
Na classificação
individual, a vitória foi para a nº2 mundial
amadora, a canadiana Brooke Henderson, com 269
(-19), superando Lee por 3 shots.
É importante referir que
estas melhores amadoras do Mundo têm dado já cartas
nos melhores circuitos profissionais, incluindo em
Majors. É esta a concorrência de Portugal num
Mundial, é um nível competitivo muito superior ao
que as nossas jogadoras estão habituadas.
João Coutinho fez ainda
questão de destacar alguns detalhes referentes ao
torneio e não tanto à participação nacional: «Só tenho um
adjetivo para descrever esta organização, soberba! É
sem dúvida o campeonato amador melhor organizado em
que alguma vez estive. Esta não é apenas minha
opinião, é a opinião geral, incluindo a de quem já
esteve em 11 Campeonatos do Mundo. Destaco os
transportes, o número impressionante de voluntários,
o live scoring em real time buraco a buraco, a
cobertura televisiva em streaming para a web com 17
câmaras, ao nível do European Tour Productions.
Detetei apenas um aspeto negativo, mas de grande
importância para as jogadoras: a qualidade do
driving range. É bastante mau».
CLASSIFICAÇÕES E
RESULTADOS
Por países (entre 50)
1º Austrália, 547
144+138+134+131), -29.
45º Portugal 629
(167+154+157+151), +53.
Individual (entre 147
jogadoras)
1ª Brooke Henderson
(Canadá), 269 (66+69+66+68), -19.
122ª (empatada) Leonor
Bessa (Portugal), 317 (88+78+78+73), +29.
130ª (empatada) Susana
Ribeiro (Portugal), 321 (80+83+79+79), +33.
133ª Inês Barbosa
(Portugal), 325 (87+76+84+78), +37.
ASSESSORIA DE MEDIA DA FEDERAÇÃO PORTUGUESA
DE GOLFE

