TIAGO CRUZ, RICARDO MELO GOUVEIA E TOMÁS SANTOS SILVA
REPETEM O MÁXIMO DE PORTUGUESES NO FIM DE SEMANA NO DOM PEDRO VICTORIA GOLF
COURSE, EM VILAMOURA, O INGLÊS FISHER COPIA O ANO PASSADO
O Portugal Masters de 2019 chega a meio da prova com um
cheirinho da edição de 2018. Tal como há um ano, o líder é o inglês Oliver
Fisher e também com o mesmo resultado de 130 pancadas, 12 abaixo do Par do Dom
Pedro Victoria Golf Course, em Vilamoura. Semelhanças incríveis, mas uma das
diferenças é que o profissional de 31 anos partilhava o comando em 2018,
enquanto nesta sexta-feira (25) fixou-se isolado na frente, com 1 pancada de
vantagem sobre o sul-africano Justin Walters (voltas de 65 e 66) e o
sul-coreano Wang Jeunghun (66+65). Outra distinção é que no segundo dia do
torneio de 2018 Fisher estabeleceu um recorde do European Tour, ao fazer uma
volta em 59 pancadas, depois das 71 no primeiro dia. Desta feita foi mais
estável com dois cartões de 65.
«Na semana passada já tinha jogado bem no Open de França e o meu driving até
esteve melhor. Aqui também joguei bem, mas hoje estou feliz com este 65 e estou
ansioso pelo fim de semana, porque o vento de sudoeste de hoje fez com que
fosse traiçoeiro ‘rivar», disse Fisher que está no Algarve a lutar pela
manutenção no European Tour.
Quem também está a tentar sobreviver na primeira divisão do golfe profissional
europeu é Ricardo Melo Gouveia. Depois de quatro épocas consecutivas no
European Tour, o 167.º classificado na Corrida para o Dubai tem a sua
permanência em risco. Para terminar a época necessita de vencer em Vilamoura e
não exclui esse cenário.
«O objetivo é ganhar o torneio porque é a única maneira de garantir o cartão
antes da Esacola de Qualificação. Se não consegui-lo irei procurar o melhor
resultado possível. Acho que com um top-5 conseguirei passar à Final da Escola.
Vou tentar não pensar nesses fatores que não estão no meu controlo e deixar que
o meu jogo continue a melhorar», declarou o português residente em Londres que,
de facto, melhorou bastante de um dia para o outro e passou o cut pela sétima
vez nos últimos oito anos, um recorde nacional.
O atleta olímpico português tinha feito 1 pancada abaixo do Par na quinta-feira
e na sexta-feira andou uma boa parte do dia no top-20 da classificação com um agregado
de 5 abaixo do Par. Ao terminar com 1 bogey no buraco 9 chegou a meio da prova
no grupo dos 29.º classificandos entre 126 jogadores, quando na véspera era
57.º. Uma segunda ronda em 68 pancadas, 3 abaixo do Par, deixou-o com um total
de -4, empatado com outros cinco jogadores.
Depois de ter sido 5.º em 2017 e 7.º em 2018, sabe que um top-10 não é
impossível. Para já foi esta subida ao top-30. Se o torneio acabasse agora,
iria subir na Corrida para o Dubai para o 164.º lugar, muito longe do top-145
de que necessita para ir à Final da Escola. Mas se não consegui-lo, não será
nenhum drama, pois, como ele próprio explicou, «em último caso há sempre a
hipótese de ir à Segunda Fase da Escola de Qualificação do European Tour».
É essa, por exemplo, a situação de Pedro Figueiredo, o outro português que em
2019 militou no European Tour, mas que falhou hoje o cut no 114.º lugar, com
149 pancadas, 7 acima do Par, após voltas de 73 e 76. “Figggy” já pensa em «uma
semana de treinos para recuperar a forma» e entrar em grande na Segunda Fase da
Escola de Qualificação, onde já estão Tomás Melo Gouveia, Tomás Bessa e Tomás
Santos Silva, depois deste trio ter superado a Primeira Fase da Escola, no
início deste mês, no Bom Sucesso, em Óbidos. Tomás Bessa (+1) e Tomás Melo
Gouveia (+4) falharam hoje o cut no Portugal Masters, depois de segundas
voltas, recpectivamente, de -2 e +3. Em contrapartida, Tomás Santos Silva
protagonizou uma grande recuperação. Era 87.º aos 18 buracos, com 1 pancada acima
do Par e subiu ao grupo dos 51.º com 2 abaixo, graças a uma segunda volta de 68
(-3).
«No ano passado tinha sido ao contrário, pois falhei o cut
depois de ter feito -3 no primeiro dia», disse o bicampeão nacional, que passou
pela segunda vez o cut no Portugal Masters, repetindo o sucesso de 2015, quando
era ainda amador.
Mas se Ricardo Melo Gouveia e Tomás Santos Silva contribuíram decisivamente
para que Portugal tenha apenas pela segunda vez em 13 anos três jogadores
apurados para o fim de semana – depois de Ricardo Santos, Pedro Figueiredo e o
mesmo Melo Gouveia em 2012 –, é preciso dizer que a grande figura nacional está
a ser o inesperado Tiago Cruz.
O antigo bicampeão nacional está a terminar uma época aquém do que nos habituou
e no Portugal Masters só por uma vez tinha passado o cut, exatamente na
primeira e longuínqua edição de 2007. Nada fazia prever estas voltas de 69 e 66
pancadas, que colocam-no pela primeira vez na sua carreira (em 12
participações) no top-10 do Portugal Masters, com 135 pancadas, 7 abaixo do
Par, no 9.º lugar, emptado, entre outros, com o duplo campeão do mais
importante torneio português, o inglês Tom Lewis (também 69+66).
«Não tenho estado a jogar muito bem e até decidi não inscrever-me este ano na
Escola de Qualificação. Vim para aqui sem expectativas, mas o meu jogo está
aqui. Bati bem na bola, “patei” bem e estou feliz», disse o profissional do BiG
que chegou a andar no top-5 do torneio com -8, mas perdeu pancadas nos buracos
16 e 17, antes de recuperar com 1 fabuloso e raro chip-in no 18. «Falhei a
segunda pancada à direita, mas o meu caddie, o Luís, disse-me para confiar em
mim que iria fazer um chip-in e foi isso que fiz», explicou. Note-se que as 66
pancadas (-5) de hoje igualam o melhor resultado de sempre de Tiago Cruz na
competição.
Dos restantes dez portugueses, João Carlota poderia ter feito história se
houvesse um quarto golfista nacional a passar o cut. O jogador do grupo Dom
Pedro esteve bem, mas perdeu 4 pancadas no buraco 14 por ter ido duas vezes à água
e falhou o cut por 4, com um total de +2. Miguel Gaspar também foi eliminado
com +4 e os amadores Daniel da Costa Rodrigues (+3) e Pedro Silva (+7) também
ficaram pelo caminho mas mostraram aspetos positivos aos 17 anos.
Fotografia: Getty Images Texto: Hugo Ribeiro Adaptação: Luís Manuel Nogueira