Se
Tiger Woods precisou de jogar cinco torneios no PGA Tour para conquistar o
primeiro título da sua carreira, Tom Lewis copiou-o ao se apoderar do primeiro
troféu do European Tour à quinta competição deste nível que disputou.
O
inglês de 20 anos é considerado um prodígio do golfe mundial e para sempre
ficará gravado que o seu primeiro título foi alcançado no Portugal Masters, o
mais importante torneio de golfe português, de 2,5 milhões de euros em prémios
monetários, que o PGA European Tour organizou no Oceânico Victoria Golf Club,
em Vilamoura, Algarve, sob o patrocínio do Turismo de Portugal.
«Havia
neste torneio muitos e bons jogadores e ser eu a sobressair no topo foi
incrível, sobretudo numa fase tão inicial da minha carreira. Nem consigo
expressar por palavras o que sinto», disse Lewis, que jogou com o laço negro,
em memória de Adam Hunter, o campeão do Open de Portugal de 1995.
Lewis
já estava na história do golfe com o seu cartão de 65 pancadas na primeira
volta do British Open deste ano, a melhor marca de sempre de um amador neste
torneio do Grand Slam, tendo partilhado a liderança no final da primeira volta.
Depois
disso, tornou-se profissional, andou a jogar torneios do European Tour com
convites, em grande parte porque já chamou a atenção da maior agência mundial
de gestão de carreiras desportivas, o IMG. «Nasceu uma estrela», disse na
cerimónia de entrega de prémios Peter Adams, o director de torneios do European
Tour.
A
forma como jogou, com 1 único bogey e 22 birdies nos últimos 52 buracos, diz
tudo.
O
mesmo 65 de Sandwich, no British Open, foi repetido na última volta de hoje do
Portugal Masters, 7 abaixo do Par do Oceânico Victoria Golf Club, o suficiente
para agregar 267 pancadas (-21), batendo por duas o espanhol Rafael Cabrera-Bello,
o líder na partida para a derradeira ronda.
Tom
Lewis levou para casa 416.660 euros de prémio, mas diz que no campo «nem pensou
no dinheiro, mas apenas em ganhar o torneio» e quando o interpelaram ao que
iria fazer com o prémio nem soube responder. Claramente não é isso que o move.
Vencedor
da Walker Cup (a Ryder Cup dos amadores), Lewis poderá tornar-se no primeiro
jogador desde Tiger a vencer também na Ryder Cup logo depois de passar a
profissional.
Seria
preciso uma conjugação de factores mas não é impossível. Mais plausível é a qualificação
para o Campeonato do Mundo do Dubai. O triunfo em Vilamoura atirou-o para o 53º
lugar da Corrida para o Dubai e o top-60 a apura-se no final da época.
Do
que está livre é da Escola de Qualificação. George O’Grady disse-lhe: «Sê
bem-vindo ao European Tour». É o novo membro do circuito europeu e o êxito em
Portugal dá-lhe isenção até ao final de 2013.
O
Portugal Masters de 2011 começou com o elogio a quarentões como Colin
Montgomerie, Miguel Angél Jiménez, José Maria Olazábal e John Daly, ídolos do
golfe que ninguém esquece. Durante o torneio, deu a ideia que a ternura dos 40
iria prevalecer numa quarta vitória em 2011 de Thomas Bjorn, mas, afinal, foram
dois jovens de 20 anos a prevalecer, para mais, amigos de longa data.
O
primeiro é, naturalmente, o campeão, Tom Lewis. O segundo é português e
chama-se Pedro Figueiredo. «Pedro é muito bom. É um tipo simpático, conheço-o
há vários anos e estou contente por ter jogado tão bem esta semana. Quando
terminar o curso nos Estados Unidos, irá aparecer em grande na Europa e vencerá
um torneio, espero que em Portugal, seguramente o seu sonho».
Tal
como Tom Lewis, Pedro Figueiredo nunca escondeu que quer ser «profissional do
European Tour», mas enquanto o inglês passou a ‘pro’ este ano, o português não
tem pressa. Diz que «se pode jogar golfe até aos 40 ou 50 anos e primeiro há
que acabar o curso».
No
Oceânico Victoria Golf Club Pedro Figueiredo poderia ter amealhado um prémio de
26.750 euros se fosse profissional, mas nem isso o apressa a mudar o rumo:
«Sempre consegui fazer o que quis, nunca tive fome, portanto tento não pensar
muito no dinheiro e consigo fazê-lo. Não me afecta nada o facto de não receber
o dinheiro do prémio por ser amador. Isso não me deixa mais ansioso».
Em
qualidade de jogo, esteve «como um profissional» e se o seu 23º lugar
(empatado) não supera a classificação de Filipe Lima em 2007 (21º), já as 274
pancadas, 14 abaixo do Par, após uma última volta em 67 (-5), é o melhor
resultado de sempre de um português no Portugal Masters.
Falando
de recordes, o Portugal Masters de 2011 ficou marcado pela maior afluência de
público numa terceira volta e no Pro-Am: 8.264 espectadores no sábado e 2.986
na quarta-feira. No final dos cinco dias não bateu o recorde de 2009 (37.479),
mas ficou-se a apenas 342 bilhetes desse registo, com um total de 37.137, ou
seja, uma afluência notável para uma época de crise, embora 3/4 dos
espectadores sejam estrangeiros.
A
esse propósito, Manuel Agrellos, presidente da Federação Portuguesa de Golfe,
declarou que «Portugal precisa de ser um país de golfe, para os estrangeiros e
para os portugueses». Manuel Agrellos falava na conferência de Imprensa
promovida pelo Conselho Nacional da Indústria do Golfe (CNIG) e realizada ao
início da tarde, que contou ainda com as presenças do seu presidente, Diogo
Gaspar Ferreira, do presidente da AlgarveGolf, Chrisopher Stilwell, e da
secretária de Estado do Turismo, Cecília Meireles, para debater o futuro do
golfe em Portugal.
O
CNIG apresentou o Visit Portugal Golf (www.visitportugalgolf.com),
a ser lançado em 2012, um portal de reservas online de campos de golfe, cujo
orçamento, de meio milhão de euros, foi custeado pelo Turismo de Portugal.
Diogo
Gaspar Ferreira disse que «o portal é inédito no Mundo e será a primeira vez
que se poderá reservar online tee-times, pagar os gree-fees, receber um
voucher, para todos os campos de golfe de Portugal. É uma estrutura complexa
que está a ser desenvolvida há um ano, e uma vez concluída, permitirá um total
de 5% de reservas online no primeiro ano, sendo o objectivo a médio prazo o de
15% a 17% por ano de todas as reservas de golfe em Portugal».
Cecília
Meireles julgou «importante a aposta em novos meios de distribuição»,
acrescentando que «este portal é inovador a nível internacional e temos de
adaptar-nos a um Mundo diferente». A governante sublinhou que «o Portugal
Masters promove o destino Portugal e todos os que têm assistido às transmissões
televisivas têm visto este tempo maravilhoso que é raro nesta altura do ano
noutras partes do Mundo, numa infraestrutura bem pensada e concebida».
FOTOS: Cecília
Meireles, secretária de Estado do Turismo, e Tom Lewis, fotografados por Getty
Images. Pedro Figueiredo fotografados por João Lobato.
