Nenhum dos portugueses logrou o principal objectivo que traziam para
este campo do sul de Itália, mas se Ricardo Santos tem razões para sorrir,
apesar de ter terminado a época no 4º posto do ranking do Challenge Tour (com
97.516 euros) e não no 1º que ocupou durante alguns meses, já Filipe Lima
falhou por uma “unha-negra” o top-20 do ranking, fechando a temporada no 23º
lugar (com 61.292 euros).
No último dia, Ricardo Santos fez o par do campo (Par-71), enquanto
Filipe Lima fez 1 pancada acima (72), totalizando ambos 276 (-8), empatados com
outros quatro jogadores no 19º lugar. Cada um embolsou 3.740 euros.
Um dos empatados com os portugueses foi o italiano Alessandro Tadini,
amigo de Ricardo, e exactamente o 20º e último jogador a qualificar-se para o
European Tour (com 62.630 euros). «Perdi o apuramento por mil euros»,
queixou-se Lima.
«Tenho a sensação do dever cumprido e não lamento nada. Entrei da
melhor maneira no torneio (foi co-líder após 18 buracos) mas da forma como as
coisas aconteceram, mesmo com o mau drive todo o torneio, só posso ficar
satisfeito, excepto com o drive. Estou orgulhoso porque o objectivo porque
lutava há seis anos era subir ao European Tour (e não ser nº1 do Challenge
Tour) e ao ficar em 4º no ranking garanto uma categoria (a nº 10b) que me
mantém no European Tour até ao final do ano», disse o Algarvio de 29 anos.
Filipe Lima, bem pelo contrário, tentava manter uma atitude positiva,
mas percebia-se a decepção de ter estado tão perto.
«É uma temporada no Challenge Tour para esquecer. Estive dois meses sem
jogar por causa da lesão (hérnia discal), faltei a alguns dos torneios mais
importantes e quando vim para este torneio já sabia que poderia ter de voltar
ao Challenge Tour em 2012. Mas é preciso ver o lado positivo e estou a jogar de
novo, a jogar bem, não vou submeter-me a cirurgia e vou continuar com os
tratamentos às costas para que esta lesão não apareça mais», comentou.
O português residente em França vai ainda tentar uma última cartada de
acesso ao European Tour de 2012, «a Terceira Fase da Escola de Qualificação do
European Tour», de 10 a 15 de Dezembro, no PGA Catalunya Resort, em Girona,
Espanha.
A situação de Filipe Lima roçou o drama desportivo. O mau início de 4ª
e última volta deitou quase tudo a perder, com bogeys nos buracos 1, 6, 8 e 9,
não compensados pelo birdie no 4. O vento a soprar a cerca de 30 quilómetros
por hora também não ajudou nas saídas, menos certeiras do que nos dias
anteriores. Mas os birdies no 11 e no 15 voltaram a dar alguma esperança.
«Hoje (dia 5) estava mais difícil de se jogar, mas não era impossível.
Comecei mal porque falhei muitos shots nos primeiros 9 buracos, mas depois fui
melhorando. O problema é que os putts teimaram em não entrar», disse.
Mesmo assim, Lima teve um excelente approach no 72º e derradeiro buraco
da competição, sendo dos raros jogadores que ficaram com putt para birdie no
buraco 18 a cerca de 4 metros. O profissional da Federação Portuguesa de Golfe
calculou bem a distância do putt e falhou-o apenas por dois dedos. Com esse
birdie, Lima teria ficado no 15º lugar (empatado) em vez de 19º, o seu prémio
monetário teria sido de 5.088 euros em vez dos 3.740, superaria Alessandro
Tadini em ganhos monetários por 10 euros e teria sido ele a ocupar a 20ª
posição do ranking.
«Quando fui patar, tinha a noção de que aquele putt poderia salvar a
época», admitiu. É caso para dizer que perdeu o European Tour de 2012 por dois
dedos.
«Fui acompanhando os resultados do Filipe todos os dias e acho que ele
teve muito azar este ano com tudo o que lhe aconteceu. É sempre complicado
precisar de um grande resultado na última semana da época e acho que sem vento,
como nos dias anteriores, talvez ele tivesse tido mais hipóteses. Ele já provou
que tem jogo para estar no European Tour e não no Challenge Tour e creio que
ainda pode ganhar este ano a sua qualificação na Escola», afiançou Ricardo
Santos, para quem seria importante ter um compatriota que partilhasse e o
aliviasse da pressão mediática de uma estreia na Primeira Divisão europeia.
Não temos para já, pela primeira vez, dois portugueses no European
Tour, mas ainda pode acontecer. Agora será preciso esperar pela Escola de
Qualificação onde, para além de Filipe Lima na Terceira e última Fase, Portugal
estará também representado por Hugo Santos na Segunda Fase, de 2 a 5 de
Dezembro, em Espanha.
No meio de tanta animação, poderemos ser levados a pensar que o menos
importante acabou por ser a última volta de Ricardo Santos, mas poderia ter
sido bem diferente. Na realidade, Ricardo começou da melhor maneira, com
birdies nos buracos 2 e 8 e quando foi para o 9 tinha regressado ao top-10.
Uma vez mais, não esteve longe de uma grande volta, um pouco à
semelhança do ocorrido na véspera: «Comecei novamente em grande. Ia com -2
quando terminei o 8, mas até poderia perfeitamente ir com -4. Tinha a sensação
de que nessa altura já deveria estar nos dez primeiros. Mas depois sofri aqueles
bogeys no 9 e no 10, buracos que hoje não estavam nada fáceis. Foram saídas de
drive em que não acertei no fairway. A partir do 11 desperdicei uma série de
oportunidades de birdie. Foi no 11, 13, 15 e 17 e no 17 ateu sofri um bogey.
Nessa fase, só entrou o putt para birdie no 14».
O italiano Andrea Pavan ganhou a Apulia San Domenico Grand Final do
Challenge Tour, no campo que ele próprio representa, com 267 (-17), menos 1
pancada do que o inglês Tommy Fleetwood. No ranking do Challenge Tour de 2011
as posições inverteram-se, com Fleetwood a terminar como nº1 e Pavan a nº2