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| Foto João Lobato |
IRLANDÊS LOWRY CAMPEÃO RICARDO SANTOS RECORDE NACIONAL
Ricardo
Santos é o novo recordista nacional do Portugal Masters. O seu 16º lugar
(empatado) é a melhor classificação de sempre de um português, superando o 21º
posto de Filipe Lima em 2007, na primeira edição da prova de 2,25 milhões de
euros em prémios monetários, que o European Tour organizou no Oceânico Victoria
Golf Club, em Vilamoura, sob o patrocínio do Turismo de Portugal.
O campeão nacional teve uma última volta que fez lembrar o impressionante
resultado de 63 pancadas com que carimbou a sua vitória no Madeira Islands Open
e chegou ao buraco 18 com 7 abaixo do Par.
A manter esse resultado, teria ficado em 12º, mas uma segunda pancada
(approach) que foi parar à água levou-o a um bogey no 18: dropou no green, o
primeiro putt foi demasiado comprido e concluiu (aliviado) ao segundo sob
estrondosa ovação. Bem a mereceu, pois começou no 55º posto, aproveitou o fraco
vento no front-nine e os greens pouco pisados, e soube usar em seu favor o
vento que apareceu no back-nine, num dia em que o jogo no green apareceu
finalmente. As 65 pancadas, 6 abaixo, foram o melhor resultado de um português
este ano, superando as 66 de Tiago Cruz na segunda volta e deram ao mais novo
dos irmãos Santos um agregado de 278 (-6). «Já tinha feito um 65 na terceira volta de 2010 mas esta foi superior por
ser uma última volta e o campo estar mais difícil», disse (ver entrevista na
íntegra em anexo). Agora vai para o torneio da PGA de Portugal nos Açores,
seguindo-se os Opens de Singapura e Hong Kong, do European Tour, ainda na
esperança de se qualificar para o DP World Tour Championship no Dubai, na
última semana de Novembro.
Para isso precisa de chegar a 18 de
Novembro no top-60 da Corrida para o Dubai (ver a ordem de mérito completa em
anexo). Já lá esteve após a vitória no Santo da Serra em Maio, mas cinco cuts
falhados consecutivamente antes de vir ao Algarve atiraram-no para fora do
top-90. O prémio de 26.591 euros (ver classificação final e distribuição de
prémios em anexo) elevou-o à 89ª posição, mas para aceder ao top-60
necessitaria de «uma vitória ou dois top-5» em Singapura e Hong Kong.
Para além deste recorde nacional, o
sexto Portugal Masters fica marcado por ser a primeira vez que três portugueses
passaram o cut e que dois amadores o lusos fizeram num mesmo evento do European
Tour. Esses dois amadores tiveram ontem voltas bem
distintas, com Pedro Figueiredo a alcançar o seu melhor resultado da semana e
Ricardo Melo Gouveia o pior. “Figgy” vinha de três 70 seguidos e arrancou um 69
(-2), totalizando 279 (-5). Cumpriu a promessa feita aos companheiros da UCLA
(Universidade Los Angeles Califórnia) de melhorar aqueles persistentes 70 e
ficou em 27º (no ano passado fora 23º), empatado com estrelas como Miguel Angel
Jiménez, Padraig Harrington e Francesco Molinari.Se fosse profissional, teria
embolsado mais de 19 mil euros, mas não se mostra preocupado com isso (ver
entrevista em anexo) e julga que poderá passar a profissional a meio ou no
final do próximo ano, quando concluir a licenciatura nos Estados Unidos.
Quanto a Melo Gouveia, regressou de
imediato aos Estados Unidos para representar de novo a Universidade Central da
Florida (UCF), feliz por ter passado pela primeira vez um cut num torneio do
European Tour, mas algo triste por uma derradeira volta em 75 (+4), um dia
depois de ter feito -4, que o deixou no 60º lugar (empatado), com um total de
284 (Par). “Melinho jogou pela primeira vez o Portugal Masters, foi apenas o
seu terceiro torneio do European Tour e nunca tinha passado um cut.
O título foi para Shane Lowry, com
270 pancadas, 14 abaixo do Par, menos uma do que o ex-campeão da Ryder Cup, o
inglês Ross Fisher, num torneio em que também brilhou o antigo vencedor do US
Open, o neo-zelandês Michael Campbell, 3º, a 2 pancadas do vencedor.
Lowry, de barriga proeminente e
sorriso fácil, conquistou o seu primeiro torneio do European Tour enquanto
profissional, depois de ter ganho o Open da Irlanda em 2009, então como amador.
É apenas o segundo jogador a vencer torneios da primeira divisão do circuito
europeu com ambos estatutos. O outro foi Pablo Martin, também com forte ligação
com o nosso país, pois triunfou no Open de Portugal em 2007 como amador e
depois no Alfred Dunhill Championship em 2009 já como profissional.
Lowry, de 25 anos, partiu de trás,
com 4 pancadas de atraso em relação ao líder da terceira volta, o austríaco
Bernd Wiesberger. Começa a ser uma tradição do torneio. Em cinco das seis
edições, o campeão veio de trás na derradeira volta. Mas um eagle no buraco 11,
ao “enfiar no caneco” uma bola de ferro-7, lançou-o para uma volta de sonho, em
66 pancadas (-5), sempre empurrado por largas centenas de irlandeses, alguns
com residências no Algarve e outros turistas que vieram propositadamente para o
torneio. «É um sonho. Desde que venci na Irlanda que sonhava
impor-me como profissional. O apoio foi tanto que senti-me a jogar em casa»,
disse na entrevista à Sky Sports. «Vocês que me acompanharam todos estes dias
foram o meu 15º taco no saco», acrescentou no discurso de campeão, referindo-se
ao público. «Sempre gostei de Portugal. Só hoje soube que havia tantos
irlandeses a morar aqui, mas já cá tinha vindo em férias e ganhei em 2008 um
torneio em Vale do Lobo (a Taça das Nações para amadores)», concluiu na
conferência de Imprensa (ver transcrição em anexo).
O prémio de 375 mil euros elevou-o
do 65º ao 29º lugar da Corrida para o Dubai, praticamente assegurando a sua
presença no milionário torneio de encerramento do European Tour. Na cerimónia de entrega de prémios, Shane Lowry recebeu o troféu das mãos
de Cecília Meireles, secretária de Estado do Turismo, bem como um relógio Omega
de Manuel Agrellos, presidente da Federação Portuguesa de Golfe.
Entre muitas figuras presentes na
cerimónia, estiveram ainda Luís Romão, director regional do Algarve do IDJP;
António Pina, presidente do Turismo Algarve; George O’Grady,
presidente-executivo do European Tour; Gerry Fagan, presidente do Grupo
Oceânico; José Correia, presidente da PGA de Portugal; Christopher Stilwell,
presidente da AlgarveGolf; Peter Adams, director de campeonatos do European
Tour e David Williams, director do torneio.
Em declarações aos jornalistas
portugueses, Cecília Meireles sublinhou «o excelente recorde de espectadores no
local» e mostrou-se agradada com o que viu, provando «o valor estratégico do
golfe enquanto produto de exportação, sendo Portugal um destino privilegiado».
A representante do Governo referia-se às 40.177 entradas registadas em cinco
dias, batendo o recorde de 37.479 de 2009. Os 11.987 bilhetes de hoje foram a
melhor receita de 2010, mas ainda não superaram os 12.115 da última jornada de
2010.
George O’Grady referiu que «o
Portugal Masters é muito importante e especial para o European Tour, tem este
clima maravilhoso e sobretudo este chef (apontando para Bernardo Sousa
Coutinho, que a maioria dos jogadores considerou o melhor cozinheiro do
circuito europeu). Nesta altura, no norte da Europa, as condições são rigorosas
e aqui, como testemunhou este numeroso público, estivemos com este sol». Já
depois, O’Grady lamentou ter esquecido «de mencionar que o Ricardo Santos teve
uma excelente prestação, no ano em que triunfou na Madeira».
Gerry Fagan salientou o regresso aos
bons resultados de Michael Campbell e enfatizou que «o Algarve e Vilamoura são
o centro do golfe na Europa».
«Só nos sete campos da Oceânico no
Algarve recebemos por ano 250 mil jogadores. Contratamos 400 pessoas e o golfe
é vital para a economia local e nacional. Queremos continuar assim por muitos
anos», frisou, aludindo ao estudo que dá como impacto económico do Portugal
Masters de 6,7 milhões de euros e o seu impacto mediático internacional de 80
milhões de euros.
Para Shane Lowry as preocupações são
agora outras. Gerry Fagan, que também é irlandês, desafiou-o a comemorar «com o
excelente vinho português», mas o sexto campeão diferente do Portugal Masters
disse que «é tempo de festa», mas respondeu que prefere celebrar «com um boa
Guinness».